01
Dez
09

Repetiu a piada?

Fui assistir A Trilha (A Perfect Getway) no feriado. Achei o filme uma delícia. O Único problema é que somente metade do filme é bom, o resto… Você já viu inúmeras vezes antes.

Um Jovem Casal (Milla Jovovich e Steve Zahn) acaba de sair da cerimônia e, ansiando a lua de mel perfeita, vão ao Havaí para se aventurar em trilhas desertas e naturalmente exuberantes. Muito antes de começarem a viagem, são alertados de misteriosos assassinatos que aconteceram nas ilhas e, sempre ignorando alertas de moradores locais e viajantes de estrada, partem curiosos em direção ao destino, onde encontram pistas misteriosas que indicam que o(s) assassino(s) estão logo atrás deles. Tudo não passa, como visto, de uma grande bobagem e sem fundamento algum. No Caso, só de se ler a sinopse dá pra sentir a mesma sensação de dejá-vu que permeia a maioria dos filmes de hollywood que se interessam pela aceitação cada vez maior do público por materiais de auto-divulgação.

Há, portanto, momentos na fita em que até mesmo os mais céticos quanto ao mercado de ação americano conseguem ficar atentos a diálogos construídos especialmente em favor da própria história. Cliff, o personagem de Steve Zahn, é roteirista de cinema e trava durante o passar do tempo diálogos metalinguísticos com o companheiro de viagem Nicko (o péssimo Timothy Olyphant) a respeito do que o telespectador mais espera ver no fim do filme: o lugar-comum.

Se o que todos nós no fim esperamos é que vilões recebam o que merecem e mocinhos saiam ilesos e se beijando no fim, essa é a nossa realidade, a realidade de um público ansioso por fugir do mundo. Não é porém, a realidade de um dos assassinos. “Um Final feliz para os bons não é a minha realidade. E é a realidade que você espera viver e luta para conseguir.”, filosofa o personagem, já no desfecho da trama.

Por outro lado, o diretor e roteirista David Twohy já sabe bem como se livrar do fantasma da previsibilidade: É exatamente na metade do longa onde ocorre a reviravolta que decide o enredo. Inexplicavelmente, o final, porém, é exatamente aquilo o que você sempre esperou antes mesmo da sessão começar.

Para um cineasta acostumado às peripércias inventivas características de um cinema passageiro, A Trilha é o reflexo de suas agonias e violências como cidadão americano, levando consigo uma legião de público que pensa o  mesmo e o apoia independente do quão longe a esquisitice de sua história ou a inexpressividade de seus realizadores vai. O Meu conselho? Se você não for fã de Milla Jovovich (que, além de ser simplesmente linda, trabalha bem a personagem em todos os ângulos em que é mostrada), fique em casa, se divertindo com a nova temporada de Lie to Me ou rindo com as anoréxicas do Brazil’s next top model.

27
Nov
09

Pele Inflamada.

Cansei-me de espinhas.

Já não aguento mais olhar-me no espelho e ter que encarar diariamente esses pequenos e doloridos caroços. Já fui duas vezes em duas diferentes clínicas consultar-me com dois diferentes médicos e todos repetiram sempre a mesma aula chata de biologia sobre os pêlos encravados na pele e a inflamação na derme que ocasionalmente provocam as desagradáveis acnes.

A Cada manhã e consequente auto-espiada descubro sempre um novo cravo escondido, em cantos onde antes existiam apenas pele. A Tentação de apertar dois dedos um contra o outro bem em cima da região é grande e difícil de resistir. Muitas vezes eu nem ligo, e automaticamente dou um jeito de explusar de lá tudo o que faz mru rosto inchar, ainda que isso cause cicatrizes eternas e dor.

A Dor – que após tantos anos sendo sofrida acabou se tornando um prazer incontrolável. Apenas a sensação de ver aquela estranha mistura  de pus com sangue sendo expelida de uma rachadura tão pequena já elimina todo e qualquer espírito de desconforto. Venci uma batalha, e, apesar de saber que aquilo só deixou a acne mais nervosa – e sei mais do que ninguém que ela voltará com sede de vingança -, sorrio para mim mesmo e digo que ainda é preciso ter esperança de que tudo isso acabará em breve.

Talvez o tempo dê conta do problema sozinho. Ou então os remédios de quem me tornei dependente façam efeito de uma vez por todas. De uma forma ou de outra, não adianta reclamar nada da dor que tal buraco ocasiona só de se olhar para ele. A Espera é uma virtude, e saber como esperar, uma característica dos sábios. Mas apenas os que planejam como agir enquanto esperam conseguem seu lugar na liminariedade pessoal – o que é, querendo ou não, o objetivo de todos nós nesse mundo passageiro.

OBS.: Hoje Descobri que o único modo de fazer garotos pré-adolescentes lovers de quadrinhos e desenhos com violência gostarem de músicas românticas é fazê-los assistirem exaustivamente as aberturas de animes traduzidos para a linguagem nacional. Mais tarde eles estarão todos com a música tema de Dragon Ball GT  na cabeça sem saber que estão fazendo uma bela declaração de amor.  That’s all.

21
Nov
09

22

A Seguir, o clipe de uma das músicas mais tristes que eu já ouvi:

É Lily Allen acertando novamente. Já falei aqui o quanto o disco It’s not me, It’s You é bom?

17
Nov
09

Tired of Allegories.

Conclui duas coisas: a)Este blog está precisando de imagens e b)Ainda não coloquei uma barra do Twitter aqui. A Explicação para o primeiro fato pode pedir um pouco de reflexão, já a segunda é fácil. Não sei como pôr aquela barra bonita do Twitter, que vem com minha foto e o logo do site, além de ser colorido. No WordPress, só consigo aquela sem graça de uma cor verde nojenta e com cheiro de orvalhos no lençol.

Já as imagens… É, quem pensou que o blog está entrando em decadência, acertou. É só um blog, podem todos pensar. Pra mim, mais que uma página virtual, é a minha pequena oportunidade de mostrar ao mundo o que se passa aqui, ainda que isso nem sempre seja possível e o amor ás vezes seja escasso e acabe rápido. E pra compensar a frieza causada por falta de imagens, eu ponho aqui uma bateria de três fotos que me atraíram e que eu acho bonitas. Se você compartilha do meu gosto ou não, the problem is all about you.

Meus sedentários pés em uma máquina de ginástica. [É sério isso?]

James Dean em Assim Caminha a Humanidade (Rebel Without a Case)

Igreja em Kiruna, norte da Suécia.

No Description is necessary.

04
Nov
09

Leituras do Mês (2)

Oie. Um Mês se passou e aqui vêm mais uma lista dos livros que ocuparam meu tempo durante esses 30 agitados dias. Basicamente é uma lista composta apenas por leituras recomendadas pelo PAS. Mas de algumas ainda dá pra tirar proveito:

  • Vestido de Noiva - Nelson Rodrigues. Uma Peça teatral naturalista escrita durante o período moderno brasileiro [?]. Mescla ao mesmo tempo suspense, surrealismo, drama, além de ter sido uma leitura bem rápida e despreocupada. Mas nem por isso é uma leitura fácil pra nervos. Enfim, eu gostei.
  • Manifesto do Partido Comunista - Karl Marx e Friederich Engels. Cara, por que as piores ideias sempre tem que vir da Alemanha? É um país tão legal… Tudo bem que é de lá que vem os filmes de Terror, os castelos mais disneyanos, os contos de fadas mais clássicos. Mas não adianta, a fama sempre vai vir das coisas ruins. Gostei do livro, por falar nisso.
  • Crítica da Razão Tupiniquim - Roberto Gomes. Esse foi de longe o pior de todos. Tipassim, O Brasil é um país onde 20% da população é ainda analfabeta, milhões ainda estão na total miséria, a política é risível. Aí aparece um cara vindo do Paraná dizendo que está preocupado por que o país não tem uma filosofia própria e que nossos filósofos tem ideias tiradas de ideias europeus e não são, por isso, originais. Ele se explica dizendo que a filosofia europeia é feita em cima dos problemas de lá, e portanto, é inútil e não atraente aos brasileiros. Eu gostaria de encarar ele e dizer que filosofia é feita em cima não nos problemas do lugar, mas nos problemas do ser humano. A Coisa estava tão ruim e insuportável que não esperei concluí-lo: fechei o livro faltando poucas páginas. E isso é por que ainda tive paciência.
  • Saber Cuidar – Leonardo Boff. O Negócio é o seguinte: Toda a essência humana reside no cuidado. Seja ele do próprio ser humano, seja do lugar onde vive, seja dos que o rodeiam, seja do mundo. Cuidado é a chave. É a espiritualidade. Hare-harrrr-haraaaaarahara-ree-krishnna… Brincadeira. O Autor é um teólogo e eu não entendi direito qual é a do Cespe de cobrar um livro com esse caráter. Ao longo do livro, Boff aproveita para divergir sobre o rumo que a humanidade tomou até agora através de suas filosofias e o caminho que a mesma tende a seguir. A Leitura é fácil, fluente e interessante. Recomendo! (O Que é gozado, já que esse foi inexplicavelmente o que meus colegas mais odiaram)
  • Crepúsculo dos Ídolos - Friederich Nietzsche. Ahá! Deixei o melhor para o gran-finalé. Foi a primeira coisa que li de Nietzsche (O Que é irônico, já que esse foi o último livro que ele escreveu) e confesso que antes eu simplesmente não o entendia – Fruto de aulas de filosofia mal conduzidas no segundo ano (Ah, esse ensino público brasileiro ainda vai me ferrar bonito). O Texto é basicamente uma série de ferrenhas críticas a tudo que o filósofo alemão acha que errado está: a conduta moral seguida pela sociedade ocidental guiada pela igreja cristã, o caminho seguido por cientistas em busca da verdade, o espírito racional e naturalista alemão, o pessimismo schopenhaueriano (que palavra legal!), e mais um pouco ainda. O Cara sabia das coisas.

É isso, meus amados leitores, mês que vem tem mais uma lista sempre com uma turminha da pesada vivendo altas aventuras mágicas em um lugar cheio de mistérios e emoções das quais até mesmo Nietzsche duvida (o que não é grande novidade, se você ler Crepúsculo[...]).




"Ainda assim eu quero é um cérebro. Um tolo não saberia o que fazer com um coração, mesmo que tivesse um." Scarecrow, em The Wonderful Wizard of Oz.

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